ABDAGRO é convidada pelo Ministério da Agricultura para contribuir com o Plano Safra 2026/2027
Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio foi chamada pelo MAPA para apresentar contribuições à política agrícola nacional e defende menos burocracia, combate à venda casada e melhores condições de financiamento para os produtores rurais.

A Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio (ABDAGRO) foi oficialmente convidada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), por meio da Secretaria de Política Agrícola (SPA), para contribuir com a elaboração do Plano Safra 2026/2027, uma das principais políticas públicas de financiamento do agronegócio brasileiro.
O convite, divulgado pela associação em 4 de fevereiro de 2026, abriu espaço para a apresentação de sugestões técnicas relacionadas ao crédito rural, à comercialização da produção, ao seguro rural e à gestão dos riscos enfrentados por agricultores e pecuaristas.
Para a ABDAGRO, a participação nesse processo representa uma oportunidade de levar ao governo federal problemas que afetam diretamente a realidade do produtor rural, especialmente as dificuldades de acesso ao financiamento, a burocracia bancária e a venda casada de produtos financeiros.
Nossa posição é clara: não basta anunciar bilhões de reais para financiar o agronegócio. É necessário garantir que esses recursos cheguem ao produtor rural, em condições adequadas, no momento em que ele mais precisa.
A ABDAGRO defende que o Plano Safra seja construído com atenção às necessidades de quem produz, considerando o aumento dos custos operacionais, o endividamento rural, os riscos climáticos e a importância econômica do setor para o Brasil.
O convite também reforça a presença institucional da associação no debate sobre as políticas agrícolas nacionais, ampliando as oportunidades de representação dos interesses dos produtores rurais junto ao poder público.
ABDAGRO é convidada pelo segundo ano consecutivo para contribuir com o Plano Safra
A participação da ABDAGRO nas discussões sobre o financiamento agrícola não começou em 2026.
Em janeiro de 2025, a associação já havia sido convidada pela Secretaria de Política Agrícola do MAPA para apresentar sugestões destinadas à elaboração do Plano Safra 2025/2026.
O novo convite, recebido para o ciclo 2026/2027, demonstra a continuidade do diálogo institucional entre a entidade e o Ministério da Agricultura.
O processo de formulação do Plano Safra envolve a análise de propostas encaminhadas por associações, cooperativas, entidades representativas do agronegócio e instituições financeiras.
Essas contribuições ajudam o governo a identificar demandas relacionadas ao volume de financiamento, às condições das operações e aos instrumentos de proteção da atividade rural.
Para a ABDAGRO, esse diálogo precisa considerar especialmente os obstáculos que impedem muitos produtores de acessar o crédito em condições compatíveis com sua realidade econômica.
A entidade atua na defesa dos produtores rurais, no enfrentamento de práticas abusivas e na discussão de medidas que possam fortalecer a segurança jurídica e a sustentabilidade econômica do agronegócio.
Nossa missão é defender os interesses de quem produz, inclusive nas decisões que definem como o crédito rural será disponibilizado no país.
Menos burocracia: ABDAGRO defende mudanças no acesso ao crédito rural
Um dos principais problemas apontados pela ABDAGRO é o excesso de burocracia enfrentado por agricultores e pecuaristas na contratação de financiamentos.
O crédito rural possui características próprias. Diferentemente de muitas atividades econômicas, a produção agropecuária depende de ciclos biológicos, períodos específicos de plantio, desenvolvimento das lavouras e colheita.
Isso significa que o momento da liberação dos recursos pode ser tão importante quanto o valor financiado.
Um produtor que precisa comprar sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas antes do plantio não pode depender de um processo bancário excessivamente demorado.
Quando o crédito não é disponibilizado no momento adequado, o agricultor pode perder oportunidades de negociação, enfrentar custos maiores ou comprometer seu planejamento produtivo.
Em determinadas situações, a demora também pode levar à contratação de recursos em condições financeiras mais caras.
A ABDAGRO defende a necessidade de aperfeiçoar os procedimentos de análise, contratação e liberação do crédito rural, preservando as exigências legais e os mecanismos necessários de avaliação de risco.
O objetivo é tornar o processo mais eficiente, transparente e acessível.
Para quem produz, financiamento que chega depois do momento necessário pode deixar de cumprir sua finalidade.
Combate à venda casada é prioridade da ABDAGRO nas discussões sobre crédito rural
Outra bandeira defendida pela associação é o enfrentamento da venda casada nas operações de financiamento agrícola.
A prática ocorre quando uma instituição financeira condiciona a liberação do crédito à contratação de produtos ou serviços bancários que não são legalmente exigidos ou necessários à operação.
Entre os produtos frequentemente mencionados em denúncias estão títulos de capitalização, consórcios, aplicações financeiras, previdência privada e seguros sem relação direta com a atividade financiada.
A venda casada é uma prática abusiva proibida pela legislação brasileira.
O próprio Ministério da Agricultura reconhece, em suas orientações oficiais, que a exigência de produtos bancários estranhos ao financiamento caracteriza venda casada no crédito rural.
Para a ABDAGRO, combater essa prática é fundamental para preservar a finalidade dos recursos disponibilizados pelo Plano Safra.
O produtor contrata um financiamento para custear a produção, investir em máquinas, adquirir insumos ou ampliar sua capacidade produtiva.
Esses recursos não devem ser utilizados para atender a metas comerciais de instituições financeiras mediante imposição de produtos não desejados.
A associação já levou o tema à Justiça e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), defendendo a apuração das irregularidades denunciadas e a proteção dos direitos dos produtores rurais.
Em outubro de 2025, o Cade instaurou um inquérito administrativo para investigar práticas denunciadas pela ABDAGRO envolvendo a contratação de seguros vinculados ao crédito rural no Banco do Brasil.
A abertura da investigação reforçou a relevância da discussão, embora não represente, por si só, uma condenação da instituição financeira.
Ao defender o combate à venda casada no debate sobre o Plano Safra, a ABDAGRO busca contribuir para que as regras de financiamento assegurem transparência, liberdade de escolha e respeito aos direitos dos contratantes.
Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões para agricultura empresarial
Após o período de recebimento de contribuições, o governo federal lançou oficialmente o Plano Safra 2026/2027 em 30 de junho de 2026, no Palácio do Planalto, em Brasília.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, foram anunciados R$ 525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial, valor R$ 9 bilhões superior ao do ciclo anterior.
Desse montante, R$ 384,9 bilhões foram destinados ao custeio e à comercialização da produção, enquanto R$ 140,2 bilhões foram previstos para investimentos.
O Plano também reservou R$ 72,6 bilhões para os médios produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).
Entre as taxas divulgadas estão juros de 9% ao ano para operações de custeio do Pronamp e de 12,5% ao ano para o custeio empresarial, conforme as condições previstas para cada linha.
Os recursos buscam financiar despesas de produção, investimentos, modernização de propriedades, armazenagem, irrigação e diferentes atividades agropecuárias.
Entretanto, o volume anunciado não significa que todos os recursos tenham sido efetivamente contratados ou liberados.
A disponibilização depende das regras de cada linha, da operacionalização pelas instituições financeiras e do atendimento aos requisitos aplicáveis aos financiamentos.
Para a ABDAGRO, essa diferença é fundamental.
O sucesso de uma política de crédito rural não deve ser medido apenas pelo valor anunciado, mas também pela capacidade de atender produtores, reduzir obstáculos financeiros e oferecer condições adequadas de investimento.
Estudo da FGV aponta redução real dos recursos do Plano Safra
Embora o Plano Safra 2026/2027 tenha registrado aumento nominal dos recursos destinados à agricultura empresarial, um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), divulgado em julho de 2026, apresentou ressalvas importantes.
Segundo o estudo, o crescimento nominal de aproximadamente 1,7% em relação ao ciclo anterior não representou expansão real do financiamento.
Considerando a inflação medida pelo IGP-DI utilizada na análise, os pesquisadores identificaram uma redução real de 0,8% no volume anunciado.
O levantamento também destacou que as taxas de juros continuam representando um desafio para produtores rurais que enfrentam margens de rentabilidade reduzidas e dificuldades financeiras.
A FGV chamou a atenção para os custos das operações de financiamento e para as consequências da contratação de dívidas de longo prazo em um ambiente de juros elevados.
Esses dados reforçam a importância do debate defendido pela ABDAGRO sobre a necessidade de recursos compatíveis com a dimensão e os riscos da produção agropecuária.
Para nossa associação, a disponibilidade de crédito precisa ser acompanhada de condições que permitam ao produtor investir, produzir e cumprir seus compromissos financeiros.
O financiamento rural deve contribuir para a continuidade da atividade econômica, e não ampliar desnecessariamente o risco de endividamento.
Seguro rural e proteção contra perdas também integram o debate
Além do acesso ao crédito, a elaboração do Plano Safra envolve mecanismos destinados à proteção dos produtores diante de situações adversas.
Entre eles estão o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Esses instrumentos desempenham funções distintas, mas possuem importância para a gestão dos riscos existentes no campo.
A atividade rural depende de condições climáticas favoráveis e está sujeita a situações como estiagens, excesso de chuvas, granizo e outras ocorrências que podem provocar perdas financeiras expressivas.
Uma quebra de safra pode comprometer a capacidade de pagamento de financiamentos contratados anteriormente e afetar o planejamento dos ciclos seguintes.
Por isso, mecanismos adequados de gestão de risco são essenciais para a estabilidade do setor.
O Plano Safra 2026/2027 também prevê incentivos financeiros para produtores que adotam determinadas práticas sustentáveis e atendem aos critérios ambientais estabelecidos pelas normas oficiais.
A ABDAGRO defende que as políticas agrícolas considerem a realidade econômica dos produtores e contribuam para a continuidade da produção de forma responsável.
O fortalecimento dos instrumentos de proteção financeira precisa fazer parte de uma política agrícola capaz de enfrentar os desafios do campo.
Plano Safra precisa atender à realidade de quem produz
O agronegócio brasileiro é responsável por uma parcela expressiva da atividade econômica nacional, movimentando cadeias relacionadas à produção de alimentos, indústria, comércio, transporte e exportações.
Entretanto, a importância econômica do setor não elimina as dificuldades enfrentadas diariamente nas propriedades rurais.
O produtor depende de financiamento, assume riscos climáticos, realiza investimentos elevados e precisa administrar oscilações de preços que nem sempre consegue controlar.
Quando essas dificuldades são combinadas com juros elevados, burocracia excessiva e práticas bancárias abusivas, a sustentabilidade econômica da atividade pode ficar comprometida.
A ABDAGRO entende que a construção das políticas públicas deve partir da realidade enfrentada por agricultores e pecuaristas.
É necessário que as decisões sobre crédito rural considerem o calendário agrícola, os riscos produtivos, a capacidade de pagamento e as diferenças entre as diversas atividades e regiões do país.
Também é fundamental preservar a segurança jurídica das operações e garantir o cumprimento das regras que protegem os produtores.
Nossa defesa não se limita à ampliação dos valores anunciados pelo governo. Queremos um sistema de crédito rural mais eficiente, transparente e capaz de cumprir sua finalidade econômica e social.
Participação institucional fortalece a defesa do produtor rural
O convite do MAPA para a elaboração do Plano Safra 2026/2027 integra um conjunto de iniciativas que demonstram a ampliação da atuação institucional da ABDAGRO.
A associação vem participando de discussões relacionadas à tributação do agronegócio, à legalidade de cobranças estaduais, ao crédito rural e às práticas bancárias que afetam agricultores e pecuaristas.
Nossa atuação ocorre tanto na esfera judicial quanto no diálogo com órgãos públicos e instituições responsáveis por decisões que impactam o setor produtivo.
A participação nos debates sobre o Plano Safra representa mais uma oportunidade de defender a necessidade de políticas agrícolas conectadas à realidade do campo.
O convite, contudo, não significa que todas as propostas defendidas pela associação tenham sido incorporadas ao texto final do Plano. O resultado da política agrícola depende de decisões técnicas, orçamentárias e regulatórias tomadas pelos órgãos competentes.
Para a ABDAGRO, independentemente da etapa de elaboração ou execução, é fundamental acompanhar se as medidas anunciadas realmente atendem às necessidades dos produtores rurais.
ABDAGRO reafirma compromisso com a defesa do agronegócio brasileiro
A Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio mantém seu compromisso de representar os interesses de agricultores, pecuaristas e demais integrantes da cadeia produtiva nacional.
O convite do Ministério da Agricultura para contribuir com o Plano Safra 2026/2027 reforça a importância de levar as demandas do setor aos espaços institucionais de discussão.
Continuaremos defendendo a redução de entraves burocráticos, o combate à venda casada, o respeito aos direitos dos produtores e a formulação de políticas que permitam maior previsibilidade econômica para a atividade rural.
Nosso compromisso é defender um crédito rural que fortaleça a produção, respeite o produtor e contribua para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
Perguntas frequentes sobre a ABDAGRO e o Plano Safra 2026/2027
Fontes e referências
- ABDAGRO — convite divulgado em 4 de fevereiro de 2026(abre em nova aba)
- ABDAGRO — registros institucionais, incluindo o convite de janeiro de 2025(abre em nova aba)
- MAPA — valores e condições oficiais do Plano Safra 2026/2027(abre em nova aba)
- FGV — estudo sobre juros e recursos do Plano Safra 2026/2027(abre em nova aba)
- MAPA — perguntas e respostas sobre venda casada no crédito rural(abre em nova aba)
- Cade — Nota Técnica nº 80/2025 sobre as práticas investigadas (publicada pela Rota Jurídica)(abre em nova aba)
- ABDAGRO — divulgação da abertura do inquérito no Cade(abre em nova aba)